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MAPUTO, Mozambique - Edma Fernando, 25, is a person with albinism, a single mother of two and one of the most successful farmers in her neighborhood. However, this was not always the case.

Coming from a humble family who lived on subsistence agriculture, Ms. Fernando faced multiple forms of marginalization while growing up due to her genetic condition and remoteness. When her partner abandoned her, leaving her to raise two children on her own, Ms. Fernando did not have a livelihood and turned to her family for help. Luckily, her parents were very supportive and provided her with housing and food.

"Despite all the challenges she faced, today Ms. Fernando is an independent woman and an inspiration to her community" - Felismina Dengo, Gender Links' economic empowerment programme coordinator in Moma district

“Despite all the challenges she faced, today Ms. Fernando is an independent woman and an inspiration to her community,” said Felismina Dengo, who coordinates Gender Links’ economic empowerment programme in the district.

From subsistence to commercial agriculture

In 2020, Ms. Fernando was invited by Spotlight Initiative civil society partner Gender Links to participate in a training on entrepreneurship, as part of a group of 20 vulnerable women in the coastal Moma district, Nampula province, northern Mozambique.

During the training, Ms. Fernando learned how to run a small business, to access markets and to save money. She also received a small grant from Gender Links and invested it in her family’s field. Determined to switch from subsistence to commercial farming, she bought sesame seeds, worked hard and, a year later, together with her family she grew one of the biggest sesame fields in the area.

“I can only go to the field early in the morning, before the sun is too hot,” says Ms. Fernando. 

She now sells the sesame at a local fair, where wholesalers from across the province come to buy her product – a crop of high commercial value in Mozambique.

With the proceeds of her sales, Ms. Fernando was able to buy a motorcycle which allows her to access markets more quickly. With the extra income, Ms. Fernando and her family also diversified their crops and improved the whole family’s nutrition.

“Now I can raise my children on my own,” said Ms. Fernando.

Rural women represent more than 34 per cent of Mozambique’s population (2017 Mozambique Population Census). In the photo, women till a field of corn in Gaza province, Mozambique. Photo: Philip Hatcher-Moore/UN Mozambique

Overcoming violence and marginalization through economic empowerment

Ms. Fernando is one among over nine million rural women in Mozambique, according to the 2017 Population Census. They represent more than 34 percent of Mozambique’s population and most of them work in agriculture - the main source of income for more than 70 per cent of Mozambicans. 

These women play a crucial role in growing food and generating income for their families. Yet, most have little access to or control over productive resources due to a deeply ingrained patriarchal social structure, where gender-based violence also finds its roots.

To support vulnerable women and girls, including survivors of violence and their families, Spotlight Initiative partners in Mozambique have supported over 1,800 women engage in economic empowerment activities since 2020 - surpassing its goal of helping 1,500 women throughout the programme’s four year duration. 

“I encourage all women to stand firm in their own projects, just like I have been encouraged to stand firm in mine” - Edma Fernando, farmer 

Among them are survivors of gender-based violence, child marriage and fistula, women living with HIV, as well as women with disabilities and albinism – some of the most marginalized in the country. 

By accessing economic opportunities and learning how to run small businesses, these women are finding alternatives and livelihoods that support their long term recovery, often overcoming their dependence on abusive partners.

“I encourage all women to stand firm in their own projects, just like I have been encouraged to stand firm in mine,” said Ms. Fernando.

By Leonor Costa Neves, with reporting by Laura Lambo

Language: 
Portuguese, International
Title: 
“Ela é uma inspiração para a comunidade” - superando a marginalização através do negócio
Body: 

MAPUTO, Moçambique - Edma Fernando, de 25 anos, é uma pessoa com albinismo, mãe solteira de dois filhos e uma das agricultoras melhor sucedidas na sua zona. No entanto, nem sempre foi assim.

Vinda de uma família humilde, que vivia à base de agricultura de subsistência, Edma enfrentou formas de marginalização múltiplas enquanto crescia, devido à sua condição genética e ao isolamento geográfico. Quando o seu parceiro a abandonou, deixando-a sozinha com dois filhos para criar, Edma não tinha um meio de subsistência regular e pediu ajuda à família. Felizmente, os seus pais apoiaram-na prontamente, dando-lhe casa e alimentação.

“Apesar de todos os desafios que enfrentou, hoje Edma é uma mulher independente e uma inspiração para a comunidade” - Felismina Dengo, coordenadora do programa de empoderamento económico da Gender Links, distrito de Moma

“Apesar de todos os desafios que enfrentou, hoje Edma é uma mulher independente e uma inspiração para a sua comunidade” - disse Felismina Dengo, que coordena o programa de empoderamento económico da Gender Links no distrito costeiro de Moma, província de Nampula, norte de Moçambique.

Da agricultura de subsistência à agricultura comercial

Em 2020, Edma foi convidada pela Gender Links, uma organização parceira da Iniciativa Spotlight, para participar numa formação em empreendedorismo, como parte de um grupo de vinte mulheres vulneráveis ​​no distrito.

Durante a formação, a Edma aprendeu a gerir um pequeno negócio, a ter acesso aos mercados e a fazer poupança. Também recebeu um valor monetário da Gender Links, que  investiu na machamba da sua família. Determinada a passar da agricultura de subsistência para agricultura comercial, comprou sementes de gergelim, trabalhou arduamente e, após um ano, juntamente com a sua família, Edma hoje cultiva doze hectares de gergelim.

“Só posso ir à machamba pela manhã cedo, antes de o sol aquecer” - diz Edma.

Ela agora vende o gergelim numa feira local, onde grossistas de toda a província vêm comprar o seu produto - uma cultura de alto valor comercial no país.

Com o lucro das vendas, Edma conseguiu comprar uma motorizada que lhe permite chegar aos mercados mais depressa e com maior frequência. Com o rendimento adicional, Edma e a sua família também diversificaram as suas culturas, melhorando a nutrição de toda a família.

“Agora posso criar os meus filhos sozinha” – diz Edma.

As mulheres rurais representam mais de 34 por cento da população de Moçambique (Censo Populacional de 2017). Na foto, mulheres cultivam milho na província de Gaza, Moçambique. Foto: Philip Hatcher-Moore/UN Mozambique

Superando a marginalização e a violência através do empoderamento económico

Edma é uma entre mais de nove milhões de mulheres rurais em Moçambique, de acordo com o Censo Populacional de 2017. Estas mulheres representam mais de 34 por cento da população de Moçambique e a maioria trabalha na agricultura - a principal fonte de rendimento para mais de 70 por cento dos moçambicanos.

Essas mulheres desempenham um papel crucial no cultivo de alimentos e na geração de renda para as suas famílias. No entanto, a maioria tem pouco acesso ou controle sobre os recursos produtivos, devido a uma estrutura social patriarcal profundamente arraigada, onde a violência baseada no género encontra as suas raízes.

Para apoiar mulheres e raparigas vulneráveis, incluindo sobreviventes de violência e suas famílias, os parceiros da Iniciativa Spotlight em Moçambique incentivaram mais de 1,800 mulheres a participar em actividades de empoderamento económico desde 2020 - superando a meta projectada de apoiar 1,500 mulheres ao longo dos quatro anos de duração do programa.

“Eu encorajo todas as mulheres a permanecerem firmes nos seus próprios projectos, assim como eu fui encorajada a permanecer firme no meu” - Edma Fernando, agricultora

Entre elas, estão sobreviventes de violência, de uniões prematuras e de fístula, mulheres que vivem com HIV, bem como mulheres com deficiência e albinismo - algumas das mais marginalizadas do país.

Ao aceder a oportunidades económicas e ao aprender a gerir pequenos negócios, estas mulheres estão a encontrar alternativas e meios de subsistência que apoiam a sua recuperação a longo prazo, muitas vezes superando a dependência em parceiros abusivos.

“Eu encorajo todas as mulheres a permanecerem firmes nos seus próprios projectos, assim como eu fui encorajada a permanecer firme no meu” – disse Edma.

Por Leonor Costa Neves, com reportagem por Laura Lambo