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MAPUTO, Mozambique - Married at 12 years old, Gilda*, now 34, had all the odds stacked against her. A rural woman, she survived physical and sexual violence at the hands of two husbands and had seven children. After she contracted HIV from her second husband, he expelled her from their home, leaving her destitute and sick.

Gilda regained her confidence with support from Fórum Mulher, a civil society organization working under the European Union-funded Spotlight Initiative as part of a “Consortium Against Sexual Violence”. Gilda started her antiretroviral treatment, learnt new skills and found a new purpose – helping other vulnerable women living with HIV in her home province of Nampula, Northern Mozambique.

“I do not want any woman to suffer as I did,” says Gilda.

GENDER BASED VIOLENCE AND HIV 

According to the Joint United Nations Programme on HIV/AIDS  (UNAIDS), 2.2 million Mozambicans live with HIV, the second highest number of people living with HIV in the world. Women are disproportionately affected by HIV, representing 60 per cent of all adults living with the virus, with a prevalence rate of 9.8 per cent among women between 15 to 24 years of age. 

“Each hour, four young and adolescent women contract HIV in Mozambique“ - Winnie Byanyima, Under Secretary-General of the United Nations and Executive Director of UNAIDS

“Each hour, four young and adolescent women contract HIV in Mozambique," said Winnie Byanyima, Under Secretary-General of the United Nations and Executive Director of UNAIDS in a recent visit to the country.

A World Health Organization 2013 study shows that women who have experienced intimate partner violence are 1.5 times more likely to acquire HIV, when compared to women who have not experienced partner violence. Women often face challenges negotiating safer sex. This is exacerbated when they depend economically on their partners or when sex is violent or forced. 

When married as children, girls often drop out of school, losing access to information on HIV prevention, initiating sexual activity prematurely and becoming dependent on a spouse.

The confluence of child marriage, intimate partner violence, poverty and HIV infection certainly exposed Gilda to these multiple and intersecting forms of discrimination – leaving her in a situation of extreme vulnerability.

OVERCOMING MULTIPLE FORMS OF DISCRIMINATION

Gilda was first approached by Fórum Mulher in 2019, as part of a group of vulnerable women living in Mogovolas district, Nampula province. She had been sick for a long time but was reluctant to seek treatment for HIV due to fear of stigma.

However, Fórum Mulher activists persevered and gently persuaded her to start treatment. After some time, she accepted to start the antiretroviral treatment and, as she felt progressively better, Gilda found a new drive: to help other women overcome similar situations.

She took part in a training for “matronas” (traditional, female birth attendants who also perform initiation rites) promoted by Fórum Mulher with funding from the Spotlight Initiative. The training equipped her with knowledge and skills to prevent and respond to cases of gender-based violence, and Gilda became a volunteer activist for the organization. 

“I am not ashamed to say I am HIV positive. I am a warrior." - Gilda, 34, survivor of gender-based violence living with HIV

“I am not ashamed to say I am HIV positive. I am a warrior. I have won a battle and I will fight for the wellbeing of all women in my district," says Gilda.

As an activist, Gilda teaches vulnerable women about gender-based violence prevention and keeps regular contact with them. She often tells her story to inspire other women living with HIV to seek treatment, and helps them access health services.

LEAVING NO ONE BEHIND

Women and girls who are exposed to multiple forms of discrimination - such as those living with HIV/AIDS, gender-based violence, poverty, trafficking, disabilities, albinism or those in the Lesbian, Gay, Bisexual, Transgender Intersex (LGBTI) community - often need extra protection and support.

Spotlight Initiative civil society partners have deployed a range of outreach initiatives to foster knowledge about and access to support services, reaching over 700 vulnerable women and girls living with HIV. 

Important legal instruments and policies were revised by the Government of Mozambique with support from the Spotlight Initiative to strengthen the protection of these groups. These include an HIV and AIDS strategy in Public Administration, as well as in depth evaluations of the legal environment surrounding HIV/AIDS, among others. To make essential services more available and easier to access, the programme is also supporting the Government to train their staff, improve and expand existing service points and counselling services, having enabled over 400,000 people just like Gilda, to access the help they need.

*Name was changed

In Mozambique, Spotlight Initiative partners with organizations such as Fórum Mulher, a member of a “Consortium Against Sexual Violence” (Consórcio Contra a Violência Sexual) comprising seven organizations that work to prevent sexual and gender-based violence.

Adapted by Leonor Costa Neves from a story by Consórcio Contra a Violência Sexual

Language: 
Portuguese, International
Title: 
“Não tenho vergonha de ser seropositiva” – superando formas de discriminação múltiplas em Moçambique
Body: 

MAPUTO, Moçambique – Casada aos 12 anos de idade, Gilda*, hoje com 34 anos, tinha todas as probabilidades contra si: é uma mulher rural, que sobreviveu violência física e sexual pelas mãos de dois maridos, e teve sete filhos. Após contrair o vírus do HIV através do seu segundo marido, este expulsou-a de casa, deixando-a pobre e doente.

A Gilda recuperou a confiança em si mesma com o apoio do Fórum Mulher, uma organização da sociedade civil que trabalha no âmbito da Iniciativa Spotlight, financiada pela União Europeia, como parte de um “Consórcio Contra a Violência Sexual”. A Gilda começou o seu tratamento antirretroviral, aprendeu novas habilidades e encontrou um novo propósito – ajudar outras mulheres vulneráveis ​​vivendo com HIV/SIDA, na província Nampula, de onde é natural.

“Não quero que nenhuma mulher passe o que eu passei”, diz a Gilda.

VIOLÊNCIA BASEADA NO GÉNERO E HIV

De acordo com o Programa Conjunto das Nações Unidas sobre HIV/SIDA (ONUSIDA), 2,2 milhões de moçambicanos vivem com HIV, o segundo maior número de pessoas vivendo com HIV no mundo. As mulheres são desproporcionalmente afectadas pelo vírus, representando 60% de todos os adultos que vivem com HIV, com uma taxa de prevalência de 9,8% entre as mulheres entre os 15 e 24 anos.

“A cada hora, quatro mulheres jovens e adolescentes contraem o HIV em Moçambique“ – Winnie Byanyima, Subsecretária-Geral das Nações Unidas e Directora Executiva da ONUSIDA, numa visita recente ao país

“A cada hora, quatro mulheres jovens e adolescentes contraem o HIV em Moçambique“ – disse Winnie Byanyima, Subsecretária-Geral das Nações Unidas e Directora Executiva da ONUSIDA, numa visita recente ao país.

Um estudo da Organização Mundial da Saúde de 2013 revela que as mulheres que sofreram violência por parceiro íntimo têm uma probabilidade 1,5 vezes superior de contrair o HIV, quando comparadas com mulheres que não sofreram violência cometida pelo parceiro. Muitas vezes, as mulheres enfrentam desafios para negociar sexo seguro. Isto é exacerbado quando elas dependem economicamente dos seus parceiros, ou quando o sexo é violento ou forçado.

Quando casadas prematuramente, as raparigas tendem a abandonar a escola, perdendo o acesso a informações sobre a prevenção do HIV, iniciando a actividade sexual demasiado cedo e tornando-se dependentes do cônjuge.

A confluência da união prematura, violência por dois parceiros íntimos, pobreza e infecção pelo HIV certamente expôs a Gilda a estas formas múltiplas e entrecruzadas de discriminação – deixando-a numa situação de extrema vulnerabilidade.

SUPERANDO FORMAS MÚLTIPLAS DE DISCRIMINAÇÃO

A Gilda foi abordada pela primeira vez pelo Fórum Mulher em 2019, como parte de um grupo de mulheres vulneráveis ​​que vivem no distrito de Mogovolas, na província de Nampula. Ela estava doente há muito tempo, mas estava relutante em procurar tratamento para o HIV, por medo do estigma.

No entanto, as activistas do Fórum Mulher perseveraram e gentilmente a persuadiram-na a iniciar o tratamento. Depois de algum tempo, a Gilda aceitou iniciar o tratamento antirretroviral e, à medida que se ia sentindo melhor, a Gilda encontrou um novo propósito: ajudar outras mulheres a superar situações semelhantes à sua.

“Não tenho vergonha de dizer que sou seropositiva. Pelo contrário, digo que sou uma guerreira. Eu venci uma batalha e vou lutar pelo bem-estar de todas as mulheres de Mogovolas” – Gilda, 34 anos, sobrevivente de violência baseada no género que vive com HIV

A Gilda participou numa capacitação para “matronas” (parteiras tradicionais, que também realizam ritos de iniciação) promovido pelo Fórum Mulher com financiamento da Iniciativa Spotlight. A capacitação equipou-a com conhecimentos e habilidades para prevenir e responder a casos de violência no género, e a Gilda se tornou-se uma activista voluntária da organização.

“Não tenho vergonha de dizer que sou seropositiva. Pelo contrário, digo que sou uma guerreira. Eu venci uma batalha e vou lutar pelo bem-estar de todas as mulheres de Mogovolas” – diz a Gilda.

Enquanto activista, a Gilda ensina mulheres vulneráveis ​​sobre a prevenção da violência baseada no género e mantém contacto regular com elas. Muitas vezes, ela conta a sua própria história para inspirar outras mulheres seropositivas a procurar tratamento, e ajuda-as a aceder aos serviços de saúde.

NÃO DEIXAR NINGUÉM PARA TRÁS

As mulheres e raparigas que são expostas a múltiplas formas de discriminação – como HIV/SIDA, violência, pobreza, tráfico, deficiência, albinismo ou pessoas lésbicas, gays, bissexuais, transexuais intersexuais (LGBTI) – muitas vezes precisam de maior protecção e apoio.

Organizações da sociedade civil que implementam a Iniciativa Spotlight lançaram uma série de iniciativas para promover o conhecimento e o acesso aos serviços de apoio, alcançando mais de 700 mulheres e raparigas vulneráveis ​​e seropositivas, desde 2019.

O Governo de Moçambique reviu políticas e instrumentos jurídicos importantes com o apoio da Iniciativa Spotlight, para fortalecer a protecção a estes grupos. Isto inclui uma Estratégia de HIV/SIDA para a Administração Pública, bem como avaliações aprofundadas do ambiente legal em torno do HIV/SIDA, entre outros.

O programa também apoia o Governo a expandir os serviços essenciais e a facilitar o acesso aos mesmos, através da formação dos seus quadros, da melhoria e ampliação dos gabinetes de atendimento existentes. Isto permitiu que mais de 400 mil pessoas, tal como a Gilda, obtivessem o apoio de que precisam.

*o nome foi alterado

 Em Moçambique, a Iniciativa trabalha com organizações como o Fórum Mulher, membro de um “Consórcio Contra a Violência Sexual”, uma parceria de sete organizações de mulheres que trabalham para prevenir a violência sexual e de género.

Adaptado por Leonor Costa Neves de uma história do Consórcio Contra a Violência Sexual